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The overt statuette, 2008
projecção vídeo, cor, som mono, painel e vara de madeira / sem fim / dimensões variáveis / Ed. 3 + 1 A.P. / O título adoptado para esta peça tem origem numa canção da banda The Sunburned Hand of the Man. Conforme o título sugere, esta peça tenta criar uma escultura aberta através de uma projecção vídeo, ou melhor ainda, uma escultura em devir, entre o físico e o representacional. A imagem-vídeo apresenta uma árvore cortada, vista de cima, isto é, a secção transversal do tronco e relva circundante. A árvore amputada evoca uma ausência, um espaço a ser preenchido, transformando-se assim numa espécie de plinto ou pedestal. Ao contrário da imagem estereoscópica clássica (onde a ilusão é gerada pela visão de duas imagens semelhantes, colocadas uma ao lado da outra, e observadas a uma certa distância) nesta peça, a ilusão de profundidade é criada através da rápida sobreposição de duas imagens. Aqui, a ilusão existe independentemente da posição do espectador. Este facto liberta-o de uma posição fixa perante o objecto, permitindo-lhe liberdade de movimento em torno do objecto e sem perturbar o seu efeito. Ao limite, por detrás do ecrã, o som contínuo evoca a ideia de que a ilusão continua para além da presença do espectador. Esta ilusão torna-se uma presença física e real.
A vara de madeira é uma peça estrutural que liga o projector à parede ao mesmo tempo que sustém o ecrã. A sua sombra corresponde à direcção da luz do projector. Na superfície deste espaço ilusório, observamos a ponta da vara que liga o ecrã à parede. Esta ponta reforça o carácter físico da imagem na medida que o vídeo parece deslizar e/ou oscilar em seu torno. O raio de luz solidificado parece ter sido cortado e reduzido a uma presença mínima.