Não foram encontrados resultados

Um homem entre quatro paredes, 2008
projecção vídeo, cor, som mono / mono sound / sem fim / dimensões variáveis / Uma tatuagem de cinco pontos nas costas de uma mão é um símbolo comum entre a comunidade de presidiários portugueses. Esta tatuagem representa um homem entre quatro paredes. Nesta representação sintética e minimal do espaço, o presidiário (que se apresenta através de um ponto central) é rodeado e envolvido por quatro pontos semelhantes que representam as quatro paredes da cela. Tal como acontece na ilusão óptica de Kanizsa, as quatro paredes são virtuais e adivinham-se através dos quatro cantos.
Uma destas tatuagens foi fotografada com uma lente amplificadora para Um homem entre quatro paredes. A imagem da tatuagem é posteriormente projectada e adaptada à escala da sala de projecção, fazendo coincidir cada ponto da tatuagem com um canto da parede de projecção. As paredes da sala preenchem e completam a ilusão óptica gerada pela tatuagem projectada. Animada, a imagem surge de um ponto de fuga. Quando ela atinge a superfície na sua totalidade, isto é, quando os pontos atingem os cantos da parede, uma determinada frequência sonora é emitida. A intensidade e violência desta pulsação sonora aumenta com a velocidade da imagem. A certa altura, esta imagem sincopada gera uma ideia de imersão no espaço. Este espaço virtual, geométrico e profundo, opera-se através da migração vectorial dos pontos para os cantos da parede e a transformação do ponto central – o prisioneiro – num ponto de fuga. Quando este momento é atingido, o som transforma-se nalgo contínuo e intolerável. Esta baixa frequência não age apenas sobre o espaço, preenchendo-o, mas interfere perigosamente sobre a estrutura do edifício onde se apresenta.